terça-feira, 19 de abril de 2016

MICHEL TEMER JÁ FOI CITADO POR DOIS DELATORES DA OPERAÇÃO LAVA JATO

O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) sempre conseguiu contornar escândalos que citavam seu nome, mas deverá enfrentar o teste da Lava Jato. Dois delatores que fizeram acordo com os procuradores da operação citam o nome de Temer como padrinho de diretores que operavam esquemas de propina na Petrobras.  Os delatores são o senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e o empresário Julio Camargo, que intermediou negócios bilionários na estatal econfessou ter pago propina a integrantes do PMDB, entre os quais o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Camargo afirma ter ouvido que Temer era um dos beneficiados pelo suborno, o que o vice-presidente nega.
A Lava Jato também encontrou uma mensagem no celular de um dos sócios da OAS, Léo Pinheiro, que cita um pagamento de R$ 5 milhões ao vice-presidente, segundo denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra Eduardo Cunha.
O procurador-geral, Rodrigo Janot, escreveu na acusação ao Supremo que “Eduardo Cunha cobrou Léo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado os compromissos com a ‘turma'”. Temer diz que os R$ 5 milhões foram doação legal.
Uma das acusações mais contundentes contra Temer partiu de Delcídio. O senador responsabiliza o vice pela indicação de um diretor da BR Distribuidora, que ocupou o cargo entre 1997 e 2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso, que teria feito negócios ilícitos com etanol.
Tal executivo, João Augusto Henriques, está preso em Curitiba sob acusação de intermediar propina em contratos da Petrobras.
Delcídio classifica o negócio com etanol como “um dos maiores escândalos envolvendo a BR Distribuidora”.
Temer também teria indicado Jorge Zelada em 2008 para a diretoria internacional da Petrobras, segundo Delcídio. Zelada foi condenado a 12 anos de prisão sob acusação de ter desviado US$ 31 milhões da Petrobras para o PMDB e para si próprio. Numa conta de Zelada, as autoridades de Mônaco encontraram 11,6 milhões de euros, o equivalente a R$ 47,5 milhões.
A Operação Lava Jato também apreendeu planilhas na Camargo Corrêa em 2014 que citam dois pagamentos de US$ 40 mil a Temer, relacionados a obras em estradas.
Outra investigação da Polícia Federal sobre a Camargo Corrêa, a Operação Castelo de Areia, encontrou documentos que citam 21 vezes o nome de Temer e a cifra de US$ 345 mil. A planilha vai de 1996 a 1998, quando ele era deputado federal. A operação foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça sob o argumento de que ela foi iniciada a partir apenas de denúncia anônima, o que seria ilegal.
Ele também já foi acusado duas vezes de desvios de recursos do porto de Santos, apontada pelos próprios peemedebistas como sua área de influência, mas as investigações foram arquivadas.
OUTRO LADO
O vice Michel Temer negou envolvimento em qualquer dos temas investigados na Lava Jato ou nos outros casos em que foi mencionado.
Sobre o repasse citado em mensagem de Léo Pinheiro, a assessoria de Temer informou que “a doação eleitoral mencionada está declarada” na prestação de contas de Dilma Rousseff, na conta Michel Temer 2014, e tal valor não está ligado a ato ilícito.
Temer afirmou que as indicações de João Augusto Henriques e Jorge Zelada foram do PMDB de Minas Gerais e que jamais atuou em compra ilícita de etanol.
Em relação às declarações de Fernando Soares, a assessoria afirmou que o próprio Soares mudou sua versão.
Quanto à planilha da década de 90, Temer disse que não era parlamentar no período e não tinha com apresentar emendas sobre obras.

Na Castelo de Areia e no caso de Santos não foram encontradas provas contra o vice, segundo a assessoria. FONTE: AGORA RN

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