segunda-feira, 14 de março de 2016

EÓLICAS TÊM DIFICULDADE EM CONTRATAR SERVIÇOS NO RN

Mercado consolidado e em expansão, o setor de energia eólica do Rio Grande do Norte tem um gargalo além das linhas de transmissão: a falta de empresas especializadas na prestação de serviços para as eólicas. O estado é o primeiro do país em potência instalada com 2,606 MW, seguido da Bahia (1.470,1 MW), Rio Grande do Sul (1.467,9 MW) e Ceará (1.467,9 MW).

Dados sobre a cadeira produtiva eólica estão no inédito “Guia do Setor Eólico do Rio Grande do Norte” lançado terça-feira (15) no Sebrae-RN. É o mais completo documento no país sobre mercado, propospecção, construção, montagem, operação e manutenção do setor, além de conter as principais barreiras e perspectivas das empresas eólicas no estado e no Brasil.
As principais barreiras que dificultam agiliade no setor no RN vão desde a falta de qualidade no fornecimento de refeição, a alojamentos  e  pousadas, como também  fornecimento  de  materiais  d construção, em especial o cimento (fornecimento de Pernambuco), e oferta de mão de obra qualificada. O Guia aponta que ações mitigadoras podem partir de políticas públicas. O estudo levou três anos para ser concluído é uma parceria do Sebrae, Federação das Indústrias do RN (Fiern), CT-GAS e Banco do Nordeste. 
Segundo o professor da UFRN, Clóvis Bôsco Mendonça Oliveira, um dos autores do Guia, um dos principais pontos do documento é que ele identifica oportunidades para micro e pequenos empreendedores, além de analisar as tendências de negócios no setor que gera emprego da prospecção à fase de operação com manutenção e serviços. 
A geração de energia elétrica através da força dos ventos, além das eólicas, é uma oportunidade aberta para prestadores de serviços e empresas técnicas de manutenção. Como faltam fornecedores no Rio Grande do Norte, as eólicas vão buscar empresas de fora do estado para fazer o trabalho de manutenção dos parques, enfatizou Clóvis Oliveira.
“Tem um conjunto grande de oportunidades que podem ser aproveitadas por profissionais daqui”, frisou Clóvis Oliveira. Essas oportunidades, explicou, estão disponíveis desde a fase de prospecção dos projetos até sua operação com manutenção. Apesar das oportunidades, as barreiras são grandes, como a baixa articulação com fornecedores internacionais para os serviços  operacionais.

Parques precisam de terceirizadas em todas as fases

O gerente de Operação e Manutenção do grupo New Energy, Marrison Gabriel Guedes de Souza, responsável pelo Parque Eólico Alegria, em Guamaré, disse que as dificuldades enfrentadas pelas eólicas vão da falta de empresas com serviços especializados à falta de comunicação entre os parques geradores de energia. 
A New Energy é proprietária dos empreendimentos  Alegria I e Alegria II em Guamaré com capacidade instalada de 151,9MW. Será o maior parque eólico do Brasil.Marrison de Souza, no lançamento do Guia Eólico do RN, relatou problemas gerados pela falta de fornecedores de produtos e serviços. Por isso, muitas vezes o grupo é obrigado a  contratar prestadores de fora do estado.

As eólicas precisam de terceirizadas em todas as fases, da prospecção à manutenção, depois que os parques entram em operação, observou Marrison de Souza.  Prevê-se que uma emprsea tem, pelo menos, 26 anos de contrato. Ele, há pouco tempo precisou fazer a galvazização de um equipamento em um dos parques eólicos e teve de se deslocar até Campina Grande (PB) porque não há empresa especializada para o serviço no RN. 
A fase inicial de uma eólica demanda pelo menos 3 anos, com mais 6 anos de instalação e 20 anos de operação e manutenção. Outra experiência negativa da New Energy no RN foi a falta de empresas para manutenção de sua  rede de 300 km de cabos subterrâneos. “Ainda tem poucas empresas para manutenção nessa área”, anunciou. 
Para eólicas é fundamental manutenção de turbinas mas as empresas nessa área são difíceis de encontrar, principalmente, no RN, como também na área de telecomunicações. Isso apesar de o estado liderar o setor eólico no Brasil. “Os fornecedores devem ter, por parque, pelo menos vinte anos (para contratos)”, ressaltou.
Parques eólicos instalados têm estruturas técnicas semelhantes como aerogeradores, rede média de tensão, subestação local, subestação de conexão e têm necessidade de pessoal especializado para manutenção, enumerou. Para isso, são necessários fornecedores preparados para evitar perdas de receitas por dias parados não programados de uma turbina, por exemplo.   Mais uma vez, Marrison de Souza dá como exemplo Guamaré, onde estão os parques  Alegria I e Alegria II. Lá, se precisou uma retroescavadeira e houve problema de contratar empresa especializada. 

Ele também sugeriu a criação de um clube de eólicas para manter uma interação entre as empresas que hoje atuam de forma isolada. “A gente não se comunica”, comentou. Para ele, se houvesse comunicação entre as empresas, muitos dos problemas comuns seriam resolvidos com a troca de experiências. 

Autogeração de energia é tendência
 Banco do Nordeste começou este ano a investir em autogeração de energia sustentável para atividades produtivas com uma linha de financiamento de até R$ 2 milhões, disse o superintendente estadual da instituição, José Mendes Batista. 

De 2009 a 2013, o BNB financiou R$ 1,186 bilhão para construção de eólicas responsáveis por uma capacidade instaladas  de 331,87 MW. Por decisão do governo federal, a instalação das eólicas, a partir de 2014, só pode ser feita com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento (BMDES). “Não investimos mais para comercialização; só para consumo próprio”, frisou.
No momento, o BNB financia seis projetos de autogeração de energia, cinco no segmento fotovoltaico (solar) e um eólico. “A tendência é aumentar cada vez mais o financiamento para autogerações, como acontece no resto do mundo”, ressaltou João Batista Mendes. 
Coordenador técnico, de regulação e Infraestrutura da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Sandro Yamamoto disse que a grande preocupação do setor, hoje, é com os modelos de aerogeradores no mercado que não atendem às normas do Operador Nacional do Sistema (ONS).
O país tem 4 mil aerogeradores instalados e as empresas terão que se adequar a essas exigências. Segundo Sandro Yamamoto, a capacidade instalada nos parque eólicos brasileiros, até o início de novembro passado era de 8,4 GW na Matriz Elétrica Brasileira que tem 322 usinas.

SEBRAE-RN
O superintendente do Sebrae-RN, José Ferreira de Melo Neto (Zeca Melo) ressaltou que o Guia do Setor Eólico do Rio Grande do Norte é um grande projeto que mapeou, durante três anos, as oportunidades de negócios na área de energias renováveis no estado. 
Para 2016, o Sebrae pretende implantar um programa para a cadeia energética. “O Guia é uma nova fronteira que se abre para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, frisou Zeca Melo.  
O Guia traz um capítulo com 224 empresas do setor eólico e organizações reguladores. Há fabricantes de aerogeradores a empresas de logística.  FONTE: NOVO JORNAL

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