terça-feira, 29 de setembro de 2015

ALUNAS SE AUTOMUTILAM EM ESCOLA NA GRANDE NATAL; DIREÇÃO INVESTIGA CASOS

A direção de uma escola municipal, localizada em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, está apurando casos de três adolescentes que se automutilaram. As estudantes de 12 e 13 anos de idade usaram lâminas de apontadores e estiletes para fazer dezenas de cortes no braço. A partir da descoberta do fato a direção montou uma força tarefa envolvendo a Secretaria Municipal de Educação, o Conselho Tutelar, Ministério Público, Proerdi e psicólogos para enfrentar o problema.
"Foi uma aluna que veio nos dizer que a menina estava com retaliações no braço, então mandamos chamar a menina e conversamos com ela e perguntamos por que ela fez isso e aonde foi. Ela disse que fez em casa e que estava com o coração com problema e fez isso pra superar o problema. A partir daí identificamos outros dois casos na escola. Todos os pais foram chamados e comunicados", explicou a diretora da unidade escolar, Goreti Silva.
O G1 conversou com duas alunas da Escola Municipal Vicente França que se automutilaram. Nenhuma das duas será identificada nesta matéria. Em comum, as meninas têm o fato de acreditarem que derramando o sangue iriam conseguir aliviar um sofrimento ou uma dor causada por algum problema, como se a dor física pudesse amenizar a dor emocional.
Uma das adolescentes conta que ouviu vozes que diziam que ela passava o dia chorando, mas que poderia trocar uma lágrima por uma gota de sangue para aliviar a dor causada pelo problema que ela enfrentava. "Eu me isolava muito por causa de vários problemas que eu estava passando e esses problemas iam só piorando e se acumulando. Uns se resolviam , mas eu não esquecia e isso me angustiava muito. Foi aí que as vozes surgiram. Elas surgiam mais nos meus sonhos e do nada ficava tudo escuro e falava 'você passa o dia chorando sendo que no lugar de uma lágrima você poderia trocar por uma gota de sangue'. Era quando eu me angustiava, me angustiava e já estava me cortando", diz a aluna.
A outra estudante diz que viu na Internet que se cortando iria conseguir amenizar o sofrimento por que passava. "Eu via na Internet as pessoas fazendo e que também quando você fazia aliviava a dor. Aí eu comecei a me cortar achando que seria só fazer por fazer mesmo. Só que eu fui vendo que depois do primeiro você vai se cortando mais e mais e acaba se acostumando", conta.
Eu via na Internet as pessoas fazendo e que também quando você fazia aliviava a dor. Aí eu comecei a me cortar achando que seria só fazer por fazer mesmo. Só que eu fui vendo que depois do primeiro você vai se cortando mais e mais e acaba se acostumando"
Adolescente que se automutilou
Os cortes eram feitos com a lâmina de apontadores de lápis, estiletes e até lâminas de barbear. Nos dois casos as estudantes só procuraram ajuda da família após a escola descobrir a automutilação. De acordo com a diretora da escola, no depoimento das adolescentes foi detectada a ausência dos pais no acompanhamento dos filhos no dia a dia. "O conselho que eu dou é que os pais tenham um olhar mais especial. Muitos saem pra trabalhar cedo e os filhos estão dormindo, quando voltam já a noite os filhos já estão dormindo, então eles não têm tempo para conversar, não sabe o que está acontecendo com essas crianças. Quando esses adolescentes têm algum probleminha para conversar com os pais não tem a presença fundamental. Os pais precisam de um olhar mais especial para com os filhos", disse.FONTE: G1 DO RN

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