segunda-feira, 31 de agosto de 2015

OBESOS SOFREM À ESPERA DE UMA CIRURGIA NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES

O único serviço de realização de cirurgias bariátricas feito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte, operacionalizado pelo do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), passa atualmente por uma crise que afeta diretamente os pacientes. Apesar de haver uma fila com cerca de 900 pessoas à espera de cirurgia bariátrica, também conhecida como redução de estômago, um corte nos repasses do governo federal contingenciou cerca de 30% o orçamento mensal do hospital, que é de cerca de R$ 3 milhões por mês. O resultado foi uma redução mensal de R$ 900 mil por mês desde o início do ano.
De acordo com profissionais que fazem parte do Serviço de Cirurgia da Obesidade e Doenças Relacionadas (Scode) do HUOL, a retenção orçamentária vem sendo implementada desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff, mais precisamente quando foram realizados os cortes nos orçamentos ministeriais pelo governo federal. Os profissionais, que lidam no dia a dia atendendo aos pacientes, garantem que o corte causou um impacto significativo nas cirurgias.

De acordo com o cirurgião Igor Marreiros, que faz parte do Scode, antes do corte no orçamento o limite operacional do hospital era entre 20 e 25 cirurgias de redução de estômago por mês. Após o corte a média caiu para nove cirurgias/mês. Paralela a essa diminuição na realização dos procedimentos, a fila de pacientes tem aumentado significativamente. Todos os meses em média 40 novos pacientes entram no final da fila e ficam aguardando durante anos até conseguir uma cirurgia.
Segundo Igor Marreiros, a espera média dos pacientes dura em torno de quatro anos. Atualmente o HUOL está atendendo aos que foram cadastrados em 2011 e 2012. Até meados de 2012 a fila de espera estava em torno de 300 pacientes; como hoje está em cerca de 900 o aumento aproximado foi de 200% em um período aproximado de três anos.

“A gente está levando em torno de quatro anos agora para operar, mas a cada ano esse prazo está aumentando, cada ano a gente percebe que estamos operando pacientes que a gente atendeu há mais tempo”, observa Marreiros. De janeiro a agosto do ano passado foram realizadas 55 cirurgias bariátricas; no mesmo período desse ano – até a última quarta (26) – foram feitas 49, o que resulta uma redução de 10,9%.

“É muito crítico você ver pacientes que têm necessidade de uma cirurgia urgente e no máximo quando a gente consegue priorizar um caso mais grave ainda leva em torno de quatro a seis meses para operar. A gente sabe que tem pessoas que vão morrer ou vão ter uma piora grande por não ter acesso ao tratamento, mas infelizmente esse tem sido o dia a dia de toda a saúde pública”, lamenta o cirurgião.
Quem confirma a constatação é a coordenadora administrativa do Scode, Márcia Toscano. Ela é responsável por manter o contato com os pacientes que estão na fila de espera e com os que já estão em tratamento pré-operatório.

“Já aconteceu várias vezes de eu ligar e pedir para falar com o paciente e a pessoa que atendeu dizer que se eu tivesse ligado há seis meses talvez o paciente ainda estivesse vivo, porque ele morreu de um infarto. Nós não temos um número exato de óbitos, mas por incrível que pareça é pouco”, confirma Márcia.
A limitação de 30% do orçamento causou dificuldades em relação à compra de material para as cirurgias bariátricas. Os procedimentos no HUOL são feitos por meio da técnica de videolaparoscopia, que é o que se tem de mais avançado nesse tipo de cirurgia e consequentemente torna o material mais caro.

O procedimento é feito com auxílio de uma câmera de vídeo e um grampeador elétrico, que é utilizado para fechar as pequenas incisões no paciente. Cada vez que o grampeador é usado, ele gasta uma carga. Em cada cirurgia geralmente são usadas entre oito e dez cargas, sendo que cada carga custa R$ 1 mil.
Dada a dificuldade por que passa o Onofre Lopes, em cada cirurgia o hospital utiliza apenas uma carga do grampeador. As demais incisões são fechadas manualmente por meio de sutura. Apesar da economia nos procedimentos, a última vez que o HUOL realizou uma cirurgia desse tipo foi no início de agosto, devido à falta de material. A previsão, conforme expectativa do Scode, é que ainda esse mês chegue ao hospital o material, que está sendo licitado. FONTE: DIEGO CAMPELO  DO NOVO JORNAL

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