sexta-feira, 24 de abril de 2015

APESAR DAS CHUVAS, RESERVATÓRIOS CONTINUAM EM SITUAÇÃO CRÍTICA NO RN

A chuva que caiu ontem (22) e hoje (23) sobre várias cidades do Rio Grande do Norte está longe de ser suficiente para reverter a situação crítica de estiagem enfrentada pelo Estado. De acordo com o meteorologista Gilmar Bristot, da Empresa de Agropecuária do RN (Emparn), a previsão é que mais água caia no interior e na capital durante o fim de semana. Entretanto, as precipitações do mês ficarão abaixo da média.
A maior quantidade de chuva registrada na quarta-feira foi na região Seridó, uma das regiões do Estado com abastecimento de água em situação crítica. Jardim do Seridó teve 89 milímetros, segundo o posto local da Emparn. A razão da chuva foi a instabilidade da zona de convergência intertropical, que é a área próxima à linha do Equador, onde ventos dos hemisférios norte e sul se encontram. “A primeira quinzena do mês de abril ficou abaixo da média. Nós ainda vamos esperar o restante do mês para calcular a da segunda quinzena, mas acredito que ele ficará abaixo da média”, revelou o meteorologista.

O secretário estadual de Recursos Hídricos, Mairton França, confirma que as precipitações são insuficientes. “Nós precisamos que caia muita chuva na bacia dos reservatórios. Estamos muito preocupados com as cidades do Seridó, como estamos com todas, mas principalmente com as cidades grandes, onde há maior massa de pessoas”, colocou. O Governo do Estado, diz ele, tem se empenhado no plano diretor de gestão hídrica.
Como medidas emergenciais, o Estado vem trabalhando na implantação de poços no interior do Estado. A ideia é de que cerca de 400 sejam perfurados até o próximo ano. “É preciso ir cada vez mais profundo. Em alguns casos, a água não é encontrada. Já estamos no quarto ano de seca e o lençol freático também reflete a falta de chuva”, disse. Máquinas estão atualmente perfurando poços em Caicó, Tangará e Pau dos Ferros. A que está na última vai seguir para Alexandria, onde deve perfurar cerca de 30 poços. Em Pau dos Ferros, três tentativas de perfuração não apresentaram água suficiente. O açude do município conta atualmente com 0,88% de sua capacidade, uma das situações mais críticas no Estado.

O governo aguarda R$ 470 mil a serem liberados pelo Governo Federal, através de convênio firmado ainda no ano passado, que serão usados para este fim. “É pouco para a nossa realidade, mas diante da situação, já é uma ajuda”, argumentou o secretário. Ele ainda conta que na última gestão a pasta não adquiriu qualquer equipamento para a instalação de poços. Cada um deles pode custar até R$ 30 mil aos cofres públicos.
França considera, no entanto, que o planejamento é essencial e que as obras de grande porte, como a construção da barragem de Oiticica, fazem parte do futuro no combate à seca. No entanto, ele também avalia que essas obras foram prejudicadas pelo reajuste fiscal do Governo Federal. Ele considera que se a transposição das águas do Rio São Francisco já tivesse chegado, Pau dos Ferros e oito cidades da região do Alto Oeste já seriam beneficiadas. Três desses municípios estão em colapso no abastecimento de água. A expectativa foi adiada por um ano e agora é esperado entre 2016 e 2017. Já a barragem de oiticica, ainda precisa de mais que os R$ 54 milhões previstos no orçamento publicado no Diário Oficial da União. “A seca não é momentânea. Ela é estrutural, acontece a cada quatro anos. Mas até hoje só se combate a seca quando ela chega, não há planejamento para lidar com ela”, pontuou.

Atualmente, 11 cidades potiguares estão em colapso no abastecimento de água. São elas: Antônio Martins, Carnaúba dos Dantas, Doutor Severiano, João Dias, Luís Gomes, Paraná, Pilões, Riacho de Santana, São Miguel, Tenente Ananias e Rafael Fernandes. Com exceção de Carnaúba dos Dantas, que é ligada à regional da Companhia de Águas e Esgotos (Caern) em Caicó, todas as outras são ligadas à regional de Pau dos Ferros.
Acari, Bodó, Caicó, Cerro Corá, Currais Novos, Equador, Florânia, Lagoa Nova e Pau dos Ferros estão em rodízio.
FONTE: JORNAL DE HOJE  REPÓRTER IGOR JÁCOME

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