sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

LAGOA DO PIATÓ SECA, DEIXANDO CENTENAS DE FAMÍLIAS SEM RENDA

Por Josemário Alves                                                                                                                                                A Lagoa do Piató, localizada no município de Assu e tida como o maior reservatório natural de água doce do Rio Grande do Norte, alcançou no dia 16 de dezembro de 2014, o nível mais crítico dos últimos quinze anos. Secou. Com sua capacidade totalmente zerada, o reservatório com cerca de 18 quilômetros de extensão tem afetado negativamente cerca de 600 famílias que usavam suas águas do lago como fonte de renda.
No passado a lagoa beneficiava toda a região do Vale do Açu. Movia a economia regional com a produção de peixe, mandioca, milho, feijão, entre outros legumes. Em tempos passados, a população ribeirinha residente em cinco comunidades ao redor do reservatório chegavam a enviar toneladas de peixes para outros estados como Ceará e Paraíba, além de abastecer vários municípios do Rio Grande do Norte. Hoje, o cenário é agonizante.
“Pra mim ela representava tudo no mundo, hoje em dia é uma tristeza ver ela assim seca, quando eu olho para dentro dela chega eu choro. Meu marido sai de madrugada de moto pra Touros, arriscando a vida pra ganhar uma mixaria. Quando a lagoa tava cheia, a coisa era diferente, ele vivia em casa, pescando. Uma lagoa dessa me faz falta demais”, disse a moradora Antônia Alves.
Segundo Ítalo Costa, morador do Porto do Piató, os pescadores da região estão se deslocando até outros reservatórios, como a barragem Armando Ribeiro Gonçalves em Itajá, para garantir o seu sustento. Ainda na região tem o Açude do Mendubim e do Pataxó, além do próprio leito do Rio Piranhas/Açu perenizado pelas comportas da Armando Ribeiro Gonçalves, que foi concluída em 1983 e transbordou pela primeira vez dois anos depois.
Além da pesca, a Lagoa do Piató era utilizada como um ponto turístico, fazendo sucesso nos períodos festivos como o carnaval quando recebia até 7 mil foliões. “Agora não vem ninguém nem mesmo no carnaval”, declara Dioclécio de Souza, representante da comunidade Porto do Piató.

A última vez que o reservatório alcançou o nível mais crítico foi no ano de 1999, mas logo teve sua capacidade recuperada pela metade com a reconstrução de um canal que liga a lagoa ao rio Piranhas-Açu e um inverno razoável. Em 2001, para recuperar seu potencial pesqueiro, foi colocado milhões de alevinos de tilapia do nilo e tucunaré. Entretanto, com a enchente de 2004 o canal que abastecia a lagoa foi obstruído com areia e terra de suas margens.

Ítalo Costa, disse que a medida mais urgente a ser tomada para reverter à situação seria a reativação do canal. “Eu acredito que se o governo refizesse o canal, que eles tentaram fazer em 2007 e não deu certo, seria a solução dos nossos problemas”, afirmou. Este canal foi feito pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) no final de 2007 num formato que obteve resistência dos moradores da região e foi totalmente destruído no início do ano seguinte, deixando um enorme prejuízo aos cofres públicos.

Em julho deste ano de 2014, o secretário Luciano Cavalcanti, da SEMARH, disse à imprensa que tem se reunido com a Agência Nacional de Água e o Ministério da Integração, com objetivo de criar um plano emergencial para evitar que a seca prejudique mais ainda o abastecimento de água no Rio Grande do Norte e dentro desta proposta estaria à revitalização da Lagoa do Piató. Esta proposta não avançou no Governo Federal.

Lagoa precisa de um canal de alvenaria para receber água do Piranhas/Açu

A lagoa do Piató, que fica na região entre as cidades de Ipanguaçu e Carnaubais, é abastecida com água do rio Piranhas/açu por água das chuvas e principalmente por um canal de 10 km, que seria sua sangria, mas que no período de cheia do Piranhas/Açu faz o sentido inverno.
Entretanto, após a conclusão da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro, em 1983, só acontece do rio Piranhas/Açu ter água suficiente para abastecer o canal e a lagoa quando a sangria da Armando Ribeiro se aproxima de metros de lâmina no sangradouro.                                                                                                        Isto aconteceu em 1985.                                                                                                   Para chegar água na Lagoa do Piató, é preciso construir uma estação elevatória no Rio Piranhas/Açu - é penizado pelas comportas da Barragem Armando Ribeiro - e um canal de alvenaria para levar água até o lago. Entretanto, trata-se de um investimento alto que o governo do Estado alega que não tem recursos e que busca junto ao Ministério da Integração Nacional apoio para fazer a obra.
Trajetória da Lagoa do Piató                                                                                         "A lagoa do Piató encheu no ano de 1912, vindo a secar em 1915, encheu novamente em 1924 secando em 1932 e tomando água em 1947, secando em 1950 enchendo novamente em 1955, secando no mesmo ano. Depois de dois anos, em 1957 encheu, mais em 1958 secou. Tomando água em 60, ficando meia em 61-63-64-67 e 68. Secando em 70 em 71 tomou água e secou em 72, mas encheu em 74 secando em 82. Encheu em 85, secando em 92 e em 96 ficou quase seca em 99. Revitalizada com abertura do canal, chegou a receber alevinos de peixes. Tomou água 2004-2006-2008-2009 e hoje está completamente seca.”                     FONTE: JORNAL DE FATO

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