sexta-feira, 31 de outubro de 2014

BIOCOMBUSTÍVEIS SÓLIDOS PODEM SER ALTERNATIVA ENERGÉTICA PARA O RN


A natureza degradada em grande parte do território brasileiro sinaliza que as fontes de energias renováveis devem assumir papel crescente na matriz energética, devido à perspectiva de redução das reservas de combustíveis fósseis e, cada vez mais, por questões ambientais. Neste contexto a utilização de fontes alternativas de energia, em particular a biomassa em forma de briquetes, aparece como uma oportunidade de oferta de energia.  Briquete é um bloco denso e compacto de materiais energéticos, geralmente feito a partir de resíduos de madeira. Entretanto, as matérias-primas utilizadas para a produção de briquetes também podem ser serragem, maravalha, casca de arroz, palha de milho, sabugo, bagaço de cana-de-açúcar, casca de algodão, casca de café, entre outros.
Conhecido também como lenha ecológica, o briquete é capaz de substituir com eficiência o gás, a energia elétrica, o carvão vegetal, o carvão mineral, a lenha e outros tipos de combustíveis. O produto poderia estar sendo utilizado em diversos municípios potiguares na produção de cerâmicas e telhas, por exemplo, mas a ausência de políticas de investimento público impede a disseminação de sua viabilidade técnico-econômica.
Em Natal, o IFRN e a Embrala Solos lançaram o livro “Biocombustíveis Sólidos – Fonte energética alternativa visando à recuperação de áreas degradadas e à conservação do Bioma Caatinga”. A obra, que tem como editor técnico o Engenheiro Agrônomo e Pesquisador Silvio Roberto de Lucena Tavares, parte do estudo da realidade da região do Baixo-Açu potiguar, área em franco processo de desertificação.

“O livro, escrito por 20 autores, propõe a produção de biocombustíveis sólidos – briquetes – a partir de matérias-primas na maioria das vezes desperdiçada e que podem ajudar a amenizar o impacto causado no meio ambiente dos municípios dessa região”, explica Silvio Roberto.
Segundo o engenheiro agrônomo, os biocombustíveis sólidos já começaram a ser produzidos em larga escala em alguns estados. “O Rio Grande do Norte tem área suficiente para construir mais de 20 fábricas de briquetes e abastecer as empresas do Baixo-Açu, que utilizam carvão e lenha como combustíveis, por exemplo”, conta.
Atualmente, a maior parte da lenha usada como fonte de energia é extraída da mata nativa, agravando o quadro de desertificação em vários pontos do Estado do RN. No caso do Baixo-Açu potiguar, o consumo de lenha e carvão vegetal nas residências, padarias, queijarias, churrascarias e, sobretudo, nas fábricas de cerâmica vermelha, foi estimado em 570.000 mil m³ ou 119.684,50 toneladas em 2012, o que equivale à devastação de uma área de 3.799,5 hectares ou 5.427,86 campos de futebol oficiais, gerando desertificação e degradação da caatinga potiguar.

“Nós temos grande possibilidade de reverter esse quadro se pudermos dar espaço para o crescimento do uso dos biocombustíveis sólidos. Para isso, é necessário que o poder público adote políticas de incentivo para que as fábricas de briquetes possam se instalar em nosso território”, avaliou Sílvio Roberto de Lucena Tavares.

“Temos uma demanda de mais de 30 cerâmicas no Baixo-Açu que poderiam ser beneficiadas com o uso de briquetes, sem degradar a natureza e o meio ambiente. Após a publicação do livro, nós pretendemos investir nessa ideia e buscar parceiros que possam defender nossa causa”, afirmou o agrônomo.
FONTE: JORNAL DE HOJE  REPÓRTER CAROLINA SOUZA

Nenhum comentário: