sábado, 8 de fevereiro de 2014

Mordidas: Quando os dentes viram um recurso de expressão


A história é frequente e bastante comum em escolas do ensino infantil, principalmente em berçários. Tudo começa por volta dos 18 meses, fase em que a primeira dentição começa a surgir e que as crianças fazem de tudo para descobrir novas sensações e movimentos. Em busca de conhecer o próprio corpo, eles mordem brinquedos, sapatos e até os próprios pais, professores e coleguinhas de sala, uma situação delicada para todos os envolvidos.
Na visão da psicóloga Jane Dantas, nessa fase, conhecida como fase oral, a criança tem a nutrição como prazer vital, por isso sente necessidade de levar à boca tudo o que estiver ao seu alcance, como forma de explorar e ter acesso ao mundo ao seu redor, explica. Ela acrescenta que outra razão que motiva a mordida aos amiguinhos é a necessidade de se comunicar. “Como eles ainda não dominam com tanta propriedade a linguagem verbal, a mordida ajuda-os a expressar alguns sentimentos, como: descontentamento, irritação e a necessidade de atenção. A mordida pode, inclusive, ser uma demonstração de amor e carinho, como fazem os adultos ao afagar os bebês”, destaca.

Cabe aos professores e/ou monitores o papel de administrar bem a situação. Explicar para o mordedor que o que ele fez foi errado e fazer com que o mesmo se desculpe com o coleguinha. “O professor precisa tentar perceber qual sentimento está em jogo e agir de forma natural”, explica Jane. Já com relação aos pais, a psicóloga explica que é importante que entendam a situação como uma etapa intrínseca ao desenvolvimento infantil, que pode aparecer tanto em casa como na escola, e que esses episódios podem não, necessariamente, se tratar de negligência por parte dos adultos.

Conforme relata a coordenadora pedagógica do Pequeno Prince, Girlene Vital, as crianças que mordem não podem ser rotuladas, pois ainda estão construindo a identidade. “Quando estigmatizadas, sentem dificuldade em desempenhar outro papel que não o de agressoras”, explica.

Com relação aos adultos, a opinião de Girlene é que eles devem trabalhar com coerência, sem supervalorizar a mordida. “Tanto a criança que agride, quanto à criança que não pôde se defender são inocentes. A coerência e a naturalidade dos adultos em conduzir a situação pode ser a melhor forma de suavizar esses pequenos conflitos”, finaliza.

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