domingo, 23 de fevereiro de 2014

ESTRESSE NO TRÂNSITO


Isaac Ribeiro - repórter
Os motoristas natalenses estão convivendo com uma nova e desconfortável realidade nos últimos anos, desde iniciadas as obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo. A grande quantidade de interdições e desvios nas principais vias da cidade tem causado engarrafamentos irritantes, inicialmente nos horários de pico, mas, agora, não só neles. O resultado disso tudo é muito estresse.
Distâncias antes percorridas em pouco tempo, agora levam o dobro ou mais para serem vencidas. Sim, porque andar de carro agora é uma verdadeira batalha. E é preciso se cuidar para que você não seja o derrotado.
O estresse é um tipo de mecanismo de defesa do corpo diante de uma ameaça, uma espécie de preparação de como enfrentá-la, e que provoca algumas reações; aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, o sangue é desviado do aparelho digestivo e da pele para os músculos, entre outros. Um dos responsáveis por isso é o hormônio cortisol. Porém, uma carga excessiva dele acaba por criar reações de animosidade. O funcionamento de vários órgãos fica comprometido com o estresse agudo e constante. Apesar de não ser classificado como doença, ele pode desencadear problemas crônicos no organismo. Distúrbios psicológicos também.
A psicóloga Jemima Morais Veras comenta que se a pessoa conseguir reagir bem ao estímulo estressor, a condição de equilíbrio se restabelece. Quando isso não acontece, o problema pode evoluir para outras fases: a de resistência; quando o organismo continua buscando formas de se ajustar, gerando desgaste, diminui de resistência orgânica, falhas na ovulação e até impotência sexual.

Já na fase de exaustão, há uma queda acentuada da imunidade, permitindo o surgimento de doenças como depressão, obesidade, anorexia, alterações do sono, ansiedade, distúrbios gastrointestinais, intoxicações, infecções graves, hipertensão, caspa e seborréia, problemas respiratórias, alergias, dificuldades de aprendizagem, diarreias, gripes freqüentes, problemas de garganta, herpes, alterações hormonais, doenças reumáticas. “É importante considerar que todas as doenças citadas podem ter uma causa orgânica. Havendo, portanto a possibilidade de que seja tratada através de uma intervenção medicamentosa.”

BATE-PAPO
Jemima Morais Veras - psicóloga

Como as mudanças no meio ambiente; no meio urbano, no caso; afetam a qualidade de vida e o comportamento psicológico do cidadão? Quais os principais danos causados?
Estamos vivendo em Natal um novo problema social; o trânsito. Essa situação vem causando estresse e alterando a rotina de várias pessoas. Inicialmente, é importante pensar que se trata de um problema coletivo e não pessoal. Mesmo estando cada um no seu veículo, indo para um lugar específico e com algum objetivo a ser cumprido. Todos ali, estão vivenciando o mesmo transtorno. As mudanças ambientais podem gerar reações físicas e afetar o humor e o comportamento. Mas devemos não ficar tão vulneráveis, tão entregues às mudanças. Vamos refletir um pouco sobre isso tentando mudar a forma como pensamos sobre o problema... Ele existe, já está instalado, no momento não pode ser resolvido, então temos que tentar nos adaptar a ele, para ficarmos melhor.
Há alguma forma de amenizar o desgaste causado pelo estresse durante o tempo perdido no engarrafamento?
É preciso interpretar o transtorno como algo momentâneo que vai ser solucionado. Quando estiver em um engarrafamento não adianta xingar, ficar bravo, gritar... A situação não foi criada para você, com a intenção de te prejudicar. Você faz parte desse contexto e talvez ajude pensar que não é o único e fazer a si mesmo alguns questionamentos: o que poderia ter feito para minimizar a situação? Por que será que estou tão irritado assim? Estou atrasado? O compromisso pode ser adiado? O que posso fazer? O problema é mesmo o trânsito? É imprescindível que cada um busque viver suas verdades e entender de onde vem o estímulo estressor. De nada adianta ficar bravo e brigar no trânsito quando o problema está em casa, no trabalho. Reclamar da lentidão do tráfego, quando você  já saiu de casa atrasado.

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