quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Papa defende reforma na Igreja


Cidade do Vaticano (AE) - O papa Francisco decretou o fim do catolicismo com base apenas na cultura da Europa, propôs a “descentralização” da Igreja e apresentou o plano da maior reforma feita no Vaticano em pelo menos meio século. No primeiro documento de próprio punho, apresentado ontem, Francisco explica em mais de 200 páginas o projeto para o futuro da Igreja, lança duros ataques contra sacerdotes e ordena as paróquias a sair em busca dos fiéis.

Num texto quase coloquial, ele estabeleceu o que serão as bases do pontificado. “Desejo dirigir-me aos fiéis para convidá-los a uma nova etapa de evangelização marcada pela alegria e indicar direções para o caminho da Igreja nos próximos anos”, escreveu na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho).

No texto, Francisco apela à Igreja a “recuperar a frescura original do Evangelho”. “Precisamos de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como elas são”, destaca, numa clara referência ao Documento de Aparecida (SP). Uma parte central do trabalho será o de “reformar as estruturas eclesiais” para que “todas se tornem mais missionárias”. O recado é claro: promover uma “saudável descentralização” na Igreja. Num gesto inédito, o papa fala, abertamente, na “mística popular” como caminho e saiu em defesa das práticas religiosas existentes no Brasil e na América Latina.

Jorge Mario Bergoglio insiste que prefere “uma Igreja ferida e suja por ter saído às estradas, em vez de uma Igreja preocupada em ser o centro, que acaba prisioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos”. No processo de inclusão voltou a abrir portas para homens e mulheres divorciados. “A Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos”, alertou.

O documento ainda lança severas críticas a padres e sacerdotes. Pedindo uma “revolução de ternura”, o papa critica “aqueles (religiosos) que se sentem superiores aos outros” e os que “em vez de evangelizar, classificam os outros”. Outro ataque se refere aos religiosos que têm “um cuidado ostensivo” da liturgia, da doutrina e do prestigio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inserção real do Evangelho, com as necessidades das populações. “Deus nos livre de uma Igreja mundana sob cortinas espirituais ou pastorais.”

Por fim, as batalhas por poder dentro do Vaticano também são alvo. “Dentro do povo de Deus, (há) quantas guerras? A quem queremos evangelizar com esses comportamentos?” Nem as homilias escaparam. “Temos de evitar uma pregação puramente moralista.” Por fim, pediu a todos os católicos para que combatam qualquer sentimento de “derrota”. “Se eu conseguir ajudar pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isso já é suficiente para justificar o dom da minha vida.”

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